Crise existencial, Perdição, Fé, Mudança, Pessoas, Vazio, Hiato e Reflexão.
Será isso uma crise existencial? Um desencontro?
No fundo talvez todos estejam se sentindo meio vazios, sabe? Fingimos estar sempre muito cheios disso ou daquilo, mas não passamos de copos em incessante progressão que nunca se deixam derramar ou desperdiçar líquido – este seria, no caso, um novo nome para um sentimento de fácil adaptação a espaços diversos.
Crise existencial. O que somos ninguém sabe ao certo, mas passa pela mente o que não queremos ser. E aí, como estratégia de defesa, tememos que os cortes causados em nós sejam tocados. A fuga, então, nos deixa aqui, nesse monte de gordura, pele e osso, que no fim não servem pra nada, apenas como alimentos para germes. Aliás, estes nos consomem todos os dias. Não são, pois, apenas criaturinhas que irritam a derme, uma vez que se encontram tantas vezes como germes sociais, do tipo que faz a alma pesar.
Perdição. As pessoas se entregam a ela. Perdem-se em lembranças de um passado ruim e buscam apagá-lo ou (talvez) concertá-lo. O que chamo de grande e inesgotável ilusão. Pensemos: se possível fosse transformar o passado, então de que serviria futuro e presente? Viveríamos com o carimbo PASSADO em nosso passaporte. Pra quê viver estagnado se o homem nasceu para crescer? Talvez seja a alimentação. Aquele que sabe esticar-se e consome as obras ricas da natureza se desenvolve sem tantas cicatrizes – um ser virtual, claro.
Fé. Minha cesta básica. Fé em mim e naquele que não mais a tem. Fé no pouco, no muito, no nada, mas jamais sem ela.
Mudança. Altos e baixos da vida – mais baixos talvez, mas presentes.
…
Pessoas. A gente se apaga, apega, anula, vive, chora, sorri, morre, transforma, encontra, perde, prende e solta. No fim, a gente não esquece quase nada, pois o que acaba entristece, mas é importante entender que o que não se supera, meu bem, envelhece!
Vazio. Estar meio cheio deixa o coração inóspito. Funciona mais ou menos como uma ignorância sentimental. Afinal, custa tanto assim aprender um pouco mais de si, preencher-se, abraçar um novo mundo, conquistar outro horizonte? O que queremos todos senão encontrar alguém? Encontrar uma alma, um amor, outro lado do bem?
Hiato. Não sei mais o que pensar ou dizer, apenas que entre montes, belezas, espaços e instantes, todos se perdem em novas almas, encontram-se em novos amantes. Mas somos fracos. Deixamos-nos suprimir a imprimir uma nova história. Pois o bom acaba sendo o conhecido e não aquilo que nos é apresentando como um prato a ser feito – posso até não ver a mínima graça no óbvio, mas o comodismo está impregnado em todo lugar –, ou vai me dizer que não é mais fácil lutar por algo que já foi conquistado do que seguir e enfrentar o inexplorado?
Reflexão. Talvez viver de passado tornasse a vida menos complicada. Mas ser assim pediria um alguém simplificador e meu desejo, o objetivo principal de minha existência, é amplificar, desenvolver, crescer, lutar e alcançar.