Está tudo verde lá fora. Uma ilusão humana, paredes pintadas, terra coberta e tímidos fios de grama. Urbano. Entre calçadas, calçados, passos e passadas. Pessoas calmas ou inquietas, tristes ou felizes, pessoas completas – ou quase isso. Mais duas quadras dentro da cabine, logo tudo fica azul. São mares, olhares, peixes, peças. São partes de alguém ou o nada que espera um dono qualquer.
Bate um vento forte, daqueles que despedaça rosas. Preto e branco dominam a visão, os dois terminam por roubar o pouco brilho que as cores tinham. Mas, em troca de tanto sofrimento, eles nos deixam a sensação de que o futuro será traçado por aqueles que possuírem o dom de colorir, ou poderá permanecer assim…
O corpo chora. Isso porque mudanças arrebentam, maltratam, machucam, derrubam. Perceber tudo sem cor seria como aprender a valorizar outros fatores além dos visíveis a olho nu. Desligar-se. Estalar o mundo de forma inteligente. Qual o sentido das cores? Mostrar-me quantos se interessam por azul? Alegrar? Ou chamar atenção? Não importa o sentido, o interessante nisso é vermos que questões frívolas como essa fazem falta. Desejamos julgar o outro antes de ouvi-lo, por isso nos parece estranho viver com apenas dois lados, branco e preto.
E o mundo acaba aqui. Acaba quando o homem se desprende do que o faz tão medíocre. São julgamentos achados e perdidos. São chaves de quatro segredos para uma porta sem dobradiça. É a falta de sentido, a perda da razão… É o homem limitar-se ao próprio prazer. Egoísmo, traição, morte. É cruzar os dedos antes de falar algo. Mentir.
Seguindo em frente, ao olhar para todos os lados, encontra-se perto de uma caixa de correio um pedaço pequeno de papel com os dizeres: “prefiro esquecer o que me deixa assim e correr até alcançar a exaustão. Andar, andar. Ficar parada não”.
…
O belo se perde no verde… Mesmo lugar. Está tudo verde lá fora…