Nada além disso. Dois corpos. Duas substâncias. Uma combinação. Uma mistura. Um encontro. Uma solução. Com sentido, forma, verdade, vontade e a comprovação através de simples e delicada argumentação.
São como nós, são partes completas e manipuladas por um motivo qualquer. As duas se encontram, se aproximam e logo é possível sentir a química que há entre ambas. Deixam-se levar. E então, quando menos se espera, aquelas partes se transformam em mistura. Homogênea, claro. E os que estão de fora, sem espanto algum, observam a sinergia que há na relação. Perfeita formação. A água ganha novo sabor, o sal torna-se atraente.
O tempo passa. Aquela água que se encontrava no sal, o sal que se perdia naquelas partículas, tudo muda misteriosamente com o mundo e este transforma seus componentes na mesma proporção em que seus integrantes o modificam. E estas mudanças entregam a água e o sal ao verão. Mas a culpa não está no mundo, pois, como foi dito anteriormente, são seus agentes que o transformaram no que vemos hoje. E é no momento de sol constante e escaldante que aquela combinação outrora perfeita se transforma em vapor e sal. O primeiro sai diferente, machucado, deformado, perdido em si e em todos. O outro, mais contido, se vê seco, na sua e talvez se sentindo incompleto e só, mais ainda esperando encontrar sua nova água ou que forme outra solução. A água, desta vez como vapor, vai naturalmente seguindo o caminho já pré-desenhado, transforma-se em líquido novamente, joga-se do alto dos céus e talvez se combine com um novo par.
Nesse sentido, a proposta é trocar água e sal por nós mesmos, nos vermos nesta situação e aí enxergarmos a realidade da natureza humana. Buscamos o que queremos e constantemente encontramos. Vivemos, sentimos. Vem o sofrimento, a dor… E depois nos deparamos com as razões da vida, da superação, da adaptação, desenvolvimento, crescimento pessoal e coletivo. Crescer. Este é o ponto. E a natureza é lutar para permanecer vivo, pela motivação, por felicidade individual e mútua. O que nos leva a acreditar na validade dos inícios e fins. Entender o nascimento e a morte, mas não esquecer que a gente se desenvolve. Aprender/acreditar que as combinações podem ser perfeitas, assim como podem ser acometidas por reações inesperadas. Tudo isso está intrinsecamente ligado à idéia de que um dia podemos ser água, em outros sal… Mas não importa, o propósito é existir.